Não sou muito sentimental, embora não considere isso defeito. Prefiro encarar os sentimentos em outro plano, mais racional. É natural sentir, mas é vital saber. E na guerra do sentir versus saber, o que eu sei pode anular o que eu sinto. Não que seja simples ou que haja fórmula mágica. Acredito no poder da escolha.

É certo que sentimentos são bonitos, colorem a vida. Mas eles só se encaixam nas molduras que nós lhes damos. Só invadem o espaço que lhes permitimos ter.

Sentimentos são regidos por escolhas, por isso traçam destinos, escolhem fins e finais. Sentimentos somos nós escolhendo como viver. Sentimentos que decidem, que desistem, que resistem, que permitem que outros – sentimentos – vençam.

Sentimentos são como crianças. Não sabem direito quem são. Só sabem que sentem. Nascem pequenos, mas crescem, e ganham a força que lhes damos. Dependem de nós.

O amor não é assim.

O amor vem com o tempo, vence com o tempo, quando os erros dão à luz seus acertos. Amor é uma escolha sentida e sabida. É a soma de sentimentos escolhidos – a dedo e sem medo. É escolher o que faz sentir bem o outro. O amor prefere esquecer quem é. Não sabe bem o que vem, mas sabe bem o que quer. Muitas vezes – e quase todas - desconhece os ‘porquês’, pois está além das explicações.

O amor vence o tempo, a distância, o cansaço e os outros sentimentos. O amor jamais acaba, ainda que mude sua direção.

Amor não se inventa, não se diz, não se pede, não se compara, não se aprisiona. Amor é uma pessoa, uma ação, um tempo, um fim. Em uns, é uma palavra, em outros, a própria vida. E o melhor de tudo: amor é uma força que produz amor.

Sentir é natural. Amar é uma decisão – de cada dia, hora e dor.

Quem não entende, que somente espere. O tempo passa e um dia, talvez, sinta o que eu sei.

Ouse amar.

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